Crianças em situações de risco: o trabalho continua

 

Resumo do artigo publicado no Lancet (2016) http://www.thelancet.com/pdfs/journals/langlo/PIIS2214-109X(16)30266-2.pdf
Por Marcelo Feijó

Nosso grupo do PROVE trabalha com crianças em situações de risco há alguns anos. Crianças que trabalhavam nas ruas e suas famílias, adolescentes em CIEJAs, crianças cujas mães que estavam sob violência doméstica e quadros psiquiátricos, crianças e adolescentes dependentes de drogas e aliciados ao tráfico, crianças abrigadas, vítimas de violência sexual, e mais recentemente adolescentes estupradas com transtorno de estresse pós-traumático. Nada disto seria capaz se não contássemos com o empenho de uma equipe de profissionais de saúde mental extremamente dedicados e idealistas. Trabalho parceiro com outras ONGs como do Projeto Sonhar (https://www.facebook.com/projetosonhar/?ref=br_rs) e os indescritíveis educadores do CIEJA Campo Limpo (entre eles Eda Luiz e o Tio Billy de Assis). Ambos serviços reconhecidos e extremamente atuantes.

Sem dúvida tudo isto não seria possível se não tivéssemos a liderança e o apoio de um personagem fundamental, um ser humano fora do seu tempo. Marcos Marcos de Moraes, que nos financiou e orientou, com a expertise de um empreendedor e empresário, a chegarmos a um patrocinador institucional o Instituto Credit Suisse. Esperamos continuar a fazer ainda mais. Apesar de sabermos que somos um grão de areia numa praia, cada história de sucesso é uma comemoração. Uma vida

As pesquisas mostram que em 2004 haviam 219 milhões de crianças com menos de 5 anos expostas a pobreza extrema e atrasos no desenvolvimento. Crianças que tiveram seu futuro comprometido. A pesquisa foi repetida e melhorada e encontraram que em 2010 houve uma pequena melhora (em 141 países de muito baixos e baixos PIBs).

A prevalência destas 2 condições diminuiu de 279,1 milhões (2004) para 249,4 milhões em 2010. A prevalência de crianças em risco caiu de 51% para 43%. O declínio ocorreu em todos os grupos de PIBs e regiões, sendo que a maior queda dos números ocorreu na Ásia. A África subsaariana teve a maior prevalência em ambos os anos. Números ainda muito ruins.

O Brasil com suas características de desigualdade, nos permite dizer que temos muitas “Africas” em vários lugares do país, principalmente nas grandes cidades. Nosso trabalho deve continuar. Como pesquisadores, avaliamos nossas intervenções, para saber se são eficazes e realistas. Nossa esperança é que estes nossos esforços se tornem políticas públicas.